Artistas Contemporâneos Brasileiros – Parte 1 – Rosana Ricalde

Agora que estou me preparando para passar um ano no Canadá, estou pensando o que posso levar de bom do Brasil pra lá.

Como uma das minhas grandes paixões é a Arte, nada mais justo que levar um pedaço do Brasil relacionado a isso. Até me surpreendo por postar somente sobre artistas e designers internacionais, tendo em vista que há MUITA coisa boa perto de nós…

Por isso vou começar a postar sobre artistas contemporâneos brasileiros, com o intuito de ressaltar o valor da arte brasileira e até como uma forma de levar essas informações comigo (e lembrar tudo aquilo que anotei das diversas Bienais e exposições que fui).

Nada mais justo do que começar com uma das premiadas pelo Prêmio Marcantonio Vilaça do ano passado (na verdade é 2009/10 mas vi a exposição no ano passado): Rosana Ricalde.

Primeiro de tudo: O que é esse prêmio? Segundo o próprio catálogo da exposição 2009/10 (resumidamente):

É uma inciativa do CNI (Confederação Nacional da Industria) e do SESI (Serviço da Industria Social), que integra uma série de iniciativas com o intuito de ampliar as oportunidades de acesso à cultura. A cada edição o prêmio contempla 5 artistas com bolsas de trabalho, acompanhado por um curador ou crítico. No fim da etapa as obras selecionadas são reunidas em uma exposição itinerante em diversas capitais brasileiras. De acordo com o CNI, investir na cultura e arte brasileira é uma das formas de contribuir para o desenvolvimento social no país.

Segundo de tudo: Quem é a Rosana Ricalde?

(Essa parte formal vem do site do Itaú Cultural) É artista visual formada em gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, EBA, Rio de Janeiro.  Descobre e renova uma memória não linear da escrita e da fala ao combinar suportes obsoletos (carimbos, tipos de máquina de datilografar, etiquetas) com ditados esquecidos do latim ou transmitidos pela tradição oral; com verbos da língua portuguesa agrupados por expressarem uma ação comum; ou com poemas da literatura brasileira de autores de séculos passados.

Assim se vê que ela agrega ao seu trabalho muito sobre literatura e principalmente a palavra. Rosana diz que partiu do verbo como um “potencializador” e a partir dai surgiram outras questões relacionadas ao corpo da palavra. Explorou sua intimidade com a palavra e experimentou-a em diversas maneiras, as quais podemos ver em sua obra.

Outra característica que se destaca é a meticulosidade e detalhamento dos trabalhos, tendo pequenos recortes, escritas minuciosas entre outros detalhes que vemos nas imagens. Vinda da gravura, nota-se que da técnica Rosana retirou a paciência, persistência e árduo trabalho para confeccionar cada obra. Os exemplos mais explícitos são as obras que fez para o Prêmio, onde retira os mares, ou continentes de atlas; recorta frase por frase de livros e os compõe junto aos mapas e globo terrestre; realiza enormes desenhos de ondas a partir da escrita do nome dos mares ao redor do mundo; entre outros…

Quando fui à exposição sua obra me fascinou justamente por estes detalhes e pela determinação de confeccionar tudo aquilo manualmente. Eu tentava acompanhar as frases nos mapas e labirintos… Me lembro de ter lido uma parte de “Mil e uma noites” e se não me engano “Vinte mil léguas submarinas” ou “Viagem ao centro da terra“.

A obra que mais me identifiquei foi Marés, já que admiro a tipografia e havia realizado desenhos com a escrita também. Me impressionei com o tamanho do desenho comparado ao tamanho de sua caligrafia (na foto dá pra ter uma pequena noção).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bom, assim espero que gostem dessa proposta de escrever um pouco sobre a arte atual brasileira, e por favor mandem sugestões!

Disco Melting – Rotganzen

Quem pensaria em globos de espelho derretendo? Alguma pessoa terrivelmente afetada pelo ácido lisérgico dos anos 70?

Não! Apenas o coletivo de artistas holandeses Rotganzen (formado por Robin Stam, Mark van Wijk e Joeri Horstink). Rot vem de Rotterdam (uma das maiores cidades do país).

Mais uma vez me apaixonei por uma imagem em um Pinterest que sigo e me deparo com esse trabalho e com o blog do The Jealous Curator, que fala sobre o coletivo e é referencia de vários pins.

Pelo que pude ver, o Rotganzen faz esculturas em diferentes materiais com uma abordagem lúdica com um “fundo” irônico… bem do jeito que eu gosto (risos).  Pirulitos, balões, espelhos, dinamite e soldadinhos modelando uma crítica, quem sabe?

Outros trabalhos no Flickr e no Facebook deles.

 

Idéias que se cruzam, sincronicidade, Gregoire Scalabre

Você sabe quando você tem uma idéia, ou cria um projeto… vai todo empolgado na internet pesquisar informações e imagens para embasar esse projeto, está lá no meio da pesquisa e OMG tem uma ideia igual a minha:

1 – Você entra em crise e joga tudo pro ar. Diz que não acredita mais na criação, que tudo o que você pensa já foi realizado por alguém em alguma época ou algum lugar do mundo;

2 – Reflete e pensa sobre o resultado. Analisa os prós e contras, aponta todos os erros, ou apenas fica embasbacado como aquilo está do JEITO que você tinha imaginado (ou melhor);

3 – Supera e fica feliz por ter idéias que estão sendo divulgadas na rede e desenvolvidas por pessoas que podem ter o mesmo gosto que o seu e a mesma forma de pensar, ou talvez pensem de forma diferente e realmente te acrescente algo…

Não digo que esse pensamentos virão nessa ordem, mas quem nunca pensou isso quando achou uma idéia sua sendo realizada por outro. Por que se não foi um ato inusitado da natureza ou que a física quântica de Jung tenta explicar pelo conceito de Sincronicidade, poderiamos chamar esse trabalho casualmente similar de plágio, sem mais = cópia.

Esse texto dramático é só pra situar o que passei nos últimos dias quando encontrei o trabalho do ceramista francês Gregoire Scalabre, que realizou trabalhos com a estética muito similar a das minhas peças cerâmicas, ou efetivou a instalação que eu imaginava em minha mente.

O foco dele é visivelmente outro, mas tiro o chapéu para a forma como ele concretizou as obras minuciosamente e foi muito feliz no resultado.

Creio (pois eu não sei ler em francês) que o conceito dele se baseia na materialidade e estética dos materiais argila/metal/polímero. É um “tema” bem distinto de todos os ceramistas que eu já conheci… tem horas que a peça parece de metal (esmaltação FANTÁSTICA) e horas que parece de plástico, sem contar as obras que são “puramente” porcelana são texturizadas com parafusos! Achei bem interessante o resultado e imagino o TRABALHO que ele teve pra montar tudo isso, principalmente a obra intitulada “Astreé”.

P.S. Nunca deixe de criar porque achou um projeto similar ao seu, se puder se una a essa pessoa e troque outras idéias!